sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Carta aberta para Cida.

No dia 15 de julho deste ano aconteceu uma coisa mágica - Deus colocou uma pessoinha na minha vida que iria me marcar para sempre: você, Cida! 

Neste dia tivemos o Arraiá dos Voluntários no Hemorio, e você estava internada lá - eu te conheci e foi amor à primeira vista. Passei a ser a sua "dinda" e você, minha branquinha querida...
Não chegou a 2 meses o tempo que pudemos estar juntas mas, em pensamento, nós sempre estávamos, não é? Adorei ver tua carinha de felicidade quando levei a peruca que você tanto queria e que tirou a foto que está aí em cima, (linda!) com o lenço azul turquesa que eu e o Alvaro compramos para você com tanto carinho e que você usou para tirar esta foto, emoldurar e me entregar na última visita como um presente escrito: "Para minha dinda Mel. Guarde com carinho e amor. Cida" - este porta-retratos ficou ao lado do meu computador durante este tempo todo e eu olhava e "me comunicava" com você. E cada vez que eu ia para o trabalho, eu passava no seu quarto, no final do expediente, e juntas rezávamos uma Ave Maria e um Pai Nosso, pedindo especialmente a Nossa Senhora Aparecida que cuidasse de você. Sim, porque foi graças a Ela que você veio ao mundo - você me contou se chamar Aparecida porque sua mãezinha não conseguia engravidar e fez uma promessa a Ela de que, se conseguisse colocaria o nome em você - e assim o fez.

Na última vez que estive no Hemorio, não vi você. Sua mãe estava nervosa porque você tinha pego "uma bactéria" no hospital - eu já sabia que era infecção hospitalar, mas preferi omitir. Como eu também estava doente, nem cheguei a ver você. O seu celular tinha quebrado e eu levei um que era do meu filho para não deixar sua mãe sem poder se comunicar. E você me telefonava, dizia que estava com saudades, perguntava se eu estava melhor e cobrava a minha presença porque eu fiquei 2 semanas sem poder ir ao meu trabalho.

Ontem de manhã eu estava agoniada por falta de notícias e porque não tinha ido novamente trabalhar. Liguei para o seu celular e ele só dava desligado. Liguei para sua casa e ninguém atendia. No fim da tarde o meu telefone tocou e eu fiquei feliz quando vi o seu nome no visor do bina do meu telefone. Mas não era você... sua mãe, entre assustada e contida, me perguntando se eu tinha melhorado e se o Alvaro estava aqui - eu não entendi porque ela queria saber sobre ele e eu disse que não. E então, parece que levei um soco na barriga... sua mãe falou para mim: - Mel, a nossa Cida foi embora!

Em tão pouco tempo eu fui promovida à categoria de "mãe" - sim, era assim que eu me sentia com relação a você - um pouquinho sua mãe. Contrariando as regras do Voluntariado de não se envolver com pacientes, ali estava eu fazendo o que não deveria ter sido feito, mas que não caberia a mim escolher porque amor nasce no peito e não na cabeça da gente. E a minha "promoção" veio pela sua própria mãe! Coisa mais linda! Eu literalmente desabei em lágrimas - chorei muito! Acredite você ou não, foi a sua mãe quem me confortava naquele momento dizendo que você estava sofrendo muito e tinha chegado sua hora. Eu, espírita e sabendo que a vida não acaba nesse plano, dando um péssimo exemplo àquela mãe em aflição - eu chorava e falava: - Desculpa, Cissa! Era eu quem deveria estar te consolando...

Eu estava preparando uma surpresa para você - meus amigos estavam escrevendo frases de apoio para que eu levasse impresso para você na próxima visita. Infelizmente não deu tempo... espero que elas cheguem até você em forma de estrelas aí onde você está agora. Não vou apagá-las - ficarão lá para que sejam entregues a você pelo seu Anjo Guardião no momento oportuno.

Ontem eu perguntava a Deus por que Ele me deu um presente por tão pouco tempo. A resposta me chegou imediata - era EU quem tinha sido um presente para você. Fomos "uma da outra" por um pequeno período desta existência, mas tenho certeza de que nos reencontraremos noutro plano. De tudo que passou e do que ficou, eu só tenho a te agradecer, Cidinha: - seu sorriso cativante, seu carinho infinito, sua doçura sem igual, seu carisma...

Agora é hora de seguir o seu caminho - vai para a Luz que é tua! Deixe que eu ajude seus pais e sua irmã da maneira que puder. Que você possa encontrar aí a paz que precisa para se fortificar e recomeçar seu caminho. Simplesmente seja feliz, minha branquinha!

Saudades. Com amor.
Mel

5 comentários:

MariseMaia disse...

só posso dizer uma coisa.... LINDO!!!

Alvaro Ennes disse...

Isso mesmo minha "Anjo Mel".....você é a forma de carinha em pessoa, e a Cida viu isso logo que os olhos te avistaram.
Ela está bem, e em paz.

Mel Gama disse...

Obrigada pelo carinho, Marise!
Alvaro, Deus me deu um presente maravilhoso ao colocar vc na minha vida! Obrigada! Te amo muito!

CLAUDIA IARA disse...

Nao tenho palavras.....

Andrea K. aka mme.Buterfly disse...

Impossível ler e não desabar em lágrimas,mas,não de tristeza,mas de gratidão por tão bela lição de amizade,de amor incondicional.Vcs foram protagonistas de tão belo exemplo e que isso perpetue pela eternidade !Beijo no coração!

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