sábado, 4 de outubro de 2008

Saudade...

"Saudade - palavra triste quando se perde um grande amor! Na estrada longa da vida eu vou chorando a minha dor... igual uma borboleta vagando triste por sobre a flor..." (trecho da música de Hermínio Gimenez)

No próximo dia 18 de outubro farão 3 meses que minha mãezinha desencarnou e finalmente parou de sofrer. Pela primeira vez eu sonhei com ela - sentada ao lado de duas pessoas muito querida que trabalhava no club que ela tanto amou - Olympico Club. Seu olhar estava sereno e ela sorriu para mim mas eu não escutava nenhuma palavra... :(

Durante estes 3 meses, muitas coisas aconteceram, incluindo a minha viagem para a Europa. E, nestes 3 meses, tive tempo para pensar na minha vida e perceber as pessoas que realmente me amam ou as que simplesmente convivem comigo e, com isso, passei a ficar mais exigente.

Mamãe era uma pessoa extremamente ligada às coisas materiais (completamente diferente de mim) e, em virtude disso, resolvi esperar 90 dias para tirar coisas dela daqui de casa e oferecer para quem realmente precisa.

Por opção exclusivamente MINHA, decidi que todas as coisas só serão dadas a quem o meu coração disser que é a pessoa certa. Com isso, já perdi uma amiga que acompanhava por muito tempo e também uma pessoa da família. Em contrapartida, ganhei o sorriso mais lindo e puro de um rapaz (uns 40 anos eu acho) que sofre de paralisia cerebral desde que nasceu e que conhece a mim, meu filho e minha mãe há 16 anos. Toda vez que ele me vê passar, faz questão de ganhar um beijo e põe a mão no coração e diz "vovó" e "Ygor". Esta é a forma mais pura de amor! E vc precisava ver a alegria dele quando falei que ele ia ganhar a cadeirinha de banho da vovó - isso me deixou muito feliz! Tenho certeza de que é isso que ela quer! :)

Invariavelmente eu me sinto triste e dou umas choradinhas (minha mãe dizia que eu sou uma espírita de merda - desculpem o termo, mas é o que ela falava). Graças a Deus, tenho perto de mim o meu amor, meu filho, minha amada Ritinha, minha tia Lenize, tio Gil, Nanda, minha irmã Dudu, meu cunhado amado Adilson e meu neto Juan. Isto sem contar com amigos antigos e outros que conheci durante o período em que mamãe estêve no hospital e que alguns, apesar de nunca tê-los visto pessoalmente, estiveram presentes na minha vida e vão deixar marcas para sempre: Mara, Ângela, Ângela de Arraial, Ester, Marcel e Yemna, Jean e Pri, Eudes, Tereza e Michaela, Lia, Márcia, Juarez, Marcio, Majofe, Déia, Narinha e Bella (minhas piolhinhas amadas), Tereza Cristina, Maria Cristina e Bê, Necka, Paty Hall, Regina, Romy, João, Roseny e Telma, Vânia e Jorge, Vê, Weruscha, Zé Carlos, Zu, Lena, Debbie, Tica, Rosa Cabral, Marise, Felina, GP, Wálria, Jurassy e Margarida e alguns outros que me apoiaram.

Como vcs podem ver, sou muito seleta nas minhas amizades e invariavelmente eu faço uma limpa na minha lista e acabam sobrando poucos e, algumas vezes, entrando novos amigos. Mas que são amigos verdadeiros e que eu amo muito por me ajudar a vencer a minha saudade.

Pensando bem e com frieza, veremos que tudo foi planejado pelo Criador de forma que não deixasse uma recordação triste ou ruim: os 16 dias que minha mãe ficou internada no CTI, serviram para que pudéssemos ir nos acostumando a ficar sem sua presença dentro de casa e nos preparar para a hora da separação.

Tudo continua exatamente como estava no dia que ela saiu para o hospital - mesma roupa de cama, a escova de dentes no mesmo lugar, etc... Mas isso não quer dizer que o quartinho dela ficou triste - é gostoso ficar lá e abraçar o travesseiro dela e sentir o cheirinho dela que ainda está forte. O quarto da mamãe ficou como um lugar de paz dentro da casa.

Meu medo vai começar agora qdo eu tiver de começar a doar as coisinhas dela, mas que eu vou fazer sem pressa e com amor - escolhendo a dedo quem será o privilegiado de receber algo de uma mulher tão corajosa, que criou uma filha sozinha à custa de muita costura e que, durante 5 anos estêve presa numa cama sem poder andar e com artrose nas duas mãos, o que a fazia completamente dependente de nós... Hoje eu tenho certeza de que ela está em paz, sem dor, caminhando e até correndo entre os campos, ao lado de seus pais, irmãos, do meu pai e de pessoas a quem ela sempre amou demais.

Termino agora com a imagem que me marcou muito na minha exposição em Paris - Madonna de Arminda Lopes. É exatamente assim que me sinto - uma mãe que perdeu seu bebezinho... :(
Obrigada, Arminda, por tão bela obra que tanto me fez chorar!

Beijos e fiquem com Deus!

Mel
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